Vamos
começar com outro fascinante livro?
O livro 100 Escovadas
antes de ir para cama de Melissa Panarello Relata uma história pelo que eu vejo
de uma linguagem muito brasileira, ela se mistura com todo tipo de relação
sexual que ela acha curioso é essa curiosidade que se mistura ao amor de um jovem,
o jovem sentimento de experimentar de tudo ela quer ser feliz extravasar as desordens
dela e sua única maneira propicia é. Para
Melissa, adolescente de 15 anos da pequena cidade italiana de Catânia, na Sicília,
tudo começa com a sua primeira vez. É nesse momento que ela entende, ou tem a
ilusão de entender, que os homens não estão interessados na essência de uma
mulher, nem são capazes de amar prescindindo da carne. Assim, Melissa passa a
oferecer o próprio corpo a quem quer que a peça, entregando-se esperançosa de
que alguém, ao olhá-la nos olhos, perceba sua sede de amor. É o início de um
período de dois anos em que a adolescente experimenta as mais variadas práticas
sexuais, incluindo as menos convencionais, como sexo grupal com desconhecidos e
sadomasoquismo. Em sua busca desenfreada pelo verdadeiro amor, Melissa acaba
caindo em um túnel escuro e sujo de humilhação e dor, onde se arrisca a perder
para sempre aquilo que tem de mais precioso: ela mesma. A própria autora
relatou que além de compartilhar com sua protagonista o nome afirma ter vivido
todas as experiências narradas, trocando apenas alguns nomes e datas. Isso faz
de seu relato uma visão rara e reveladora da adolescência em um país onde o
sexo ainda é cercado de muitos tabus e de uma forte repressão religiosa. A
protagonista do livro se entrega aos excessos carnais como se desejasse, através
deles, transcender o corpo. Orgias regadas a drogas, sadomasoquismo.
Homossexualismo: nada detém sua curiosidade, mas seu prazer
é tingido de repulsa e insegurança. Antes de dormir, Melissa escova cem vezes
os longos cabelos, num ritual
de purificação quase infantil que constitui, para o leitor,
o único lembrete de que se trata, afinal, de uma menina. Em uma brilhante forma de escrever com diário
a autora Melissa descreve a descoberta de um mundo novo e diferente: o próprio
corpo de adolescente, a
viagem em busca de si mesma através do sexo, o desejo de
captar o sentimento sempre inefável que é o amor. E também a ilusão de
encontrá-lo em muitas camas, em muitos corpos, em casas desconhecidas com
homens que não a amam. É esse o ponto de partida para um relato que mistura de
forma provocadora ficção e realidade.
Aqui temos os últimos fatos do diário dela, relatando que
por mais que você possa viver na escuridão buscando o mau, assim achando ser
bom. Um dia você se cansa e tudo muda te dando uma dor muito maior te fazendo
desejar voltar, mas você é empurrada para continuar, e vejas o que dá:
“- Melissa, eu te
amo.
Então apoiei meu rosto no dele, respirei forte para saborear
o momento e virei para ele. Peguei seu rosto em minhas mãos, beijei-o com uma
delicadeza que antes me era desconhecida e murmurei:
- Eu também te
amo, Claudio...
Um estremecimento e um calor febril percorreram meu corpo
até que me abandonei em seus braços e ele me apertou forte, beijando-me com uma
paixão que não era desejo de sexo, mas de outra coisa, de amor. Chorei tanto,
tanto, como nunca tinha feito na frente de ninguém.
- Me ajuda, meu
amor, por favor.-
implorei com força.
- Eu estou aqui
para você, estou aqui só para você... - disse ele me abraçando
como nenhum homem nunca tinha me abraçando.
13 de julho
Dormimos na praia abraçados um ao outro. Nos esquentamos em
nossos próprios braços: sua nobreza de espírito e seu respeito me fazem tremer
de inveja. Será que um dia vou conseguir retribuir toda essa beleza?
24 de julho
Medo, muito medo.
30 de julho
Eu fujo e ele me pega de volta. E é tão bom sentir suas mãos
que me apertam sem me oprimir... Choro com freqüência, e cada vez que choro ele
me segura juntinho dele, sente o perfume dos meus cabelos e eu apóio meu rosto
em seu peito. A tentação é de fugir e me jogar de novo no abismo, tornar a
entrar no túnel e não sair nunca mais. Mas seus braços me sustentam, eu confio
neles e ainda posso me salvar.
12 de agosto de 2002
O desejo dele é forte e vibrante, não posso ficar sem a sua
presença. Ele me abraça e me pergunta de quem eu sou.
- Sua - respondo
-, completamente sua.
Ele me olha bem nos olhos e me diz:
- Minha menina,
não se machuque, nunca mais, por favor. Você me machucaria muito também.
- Eu nunca vou te
machucar - digo
eu.
- Você não deve
fazer isso por mim, mas por você mesma, antes de qualquer outra coisa. Você é
uma flor, não deixe que a pisem de novo.
E ele me beija, roçando de leve os meus lábios, e me enche
de amor. Sorrio, estou feliz. Ele me diz:
- Olha, agora eu
preciso te beijar, tenho que roubar esse sorriso e estampá-lo para sempre nos
meus lábios. Você me deixa louco, é um anjo, uma princesa, queria passar a
noite toda te amando.
Em uma cama branca, nossos corpos aderem perfeitamente um ao
outro, sua pele e a minha se unem e nos tornamos juntos, doçura e força; olhamos-nos
nos olhos enquanto ele desliza dentro de mim devagarzinho, sem me machucar,
porque diz que meu corpo não deve ser violentado, só amado. Eu o aperto com os
braços e as pernas, seus suspiros juntam-se aos meus, seus dedos entrelaçam-se
nos meu e seu prazer se confunde inexoravelmente com o meu. Adormeço em cima do
seu peito, meus longos cabelos cobrem seu rosto, mas ele gosta e me beija
milhões de vezes na testa.
- Promete... Promete
uma coisa: a gente nunca vai se perder promete - murmuro.
Mais silêncio, ele acaricia minhas costas e sinto arrepios
irresistíveis, e ele entra de novo dentro de mim enquanto eu empurro os quadris
me colando nele. E quando me movimento, ele diz baixinho:
- Tem duas
condições para você não me perder e eu não perder você. Você não pode se sentir
prisioneira, nem de mim, nem do meu amor, do meu afeto, de nada. Você é um anjo
que precisa voar livre, nunca vai poder permitir que eu seja o único objetivo
da sua vida. Você vai ser uma grande mulher, e já é agora.
Minha voz despedaçada de prazer pergunta qual é a segunda
condição.
- Nunca trair você
mesma, porque se fizer isso vai se machucar, mas vai machucar a mim também. Eu
te amo e vou te amar mesmo quando nossos caminhos se dividirem.
Nossos prazeres se fundem e não posso evitar apertar forte o
meu Amor, não deixá-lo nunca mais, nunca. Entregue, volto a dormir na cama
dele, a noite passa e a manhã me acorda com
um sol quente e luminoso. No travesseiro, um bilhete dele:
Que você possa
encontrar na sua vida a mais alta, plena e perfeita felicidade, maravilhosa
criatura. E que eu possa fazer parte disso com você, enquanto você quiser.
Porque... é bom que saiba desde agora: eu sempre vou querer, mesmo quando você
não se virar mais para me olhar. Fui comprar café da manhã para você, volto
logo.
Só com um olho aberto, observo o sol, os sons chegam suaves
aos meus ouvidos. Os barcos dos pescadores estão começando a atracar depois de
uma noite no mar. Uma viagem no desconhecido. Uma lágrima escorre pelo meu
rosto. Sorrio quando sua mão roça as minhas costas nuas e ele me beija a nuca.
Olho para ele. Olho e entendo agora eu sei. Concluí minha viagem dentro do
bosque, consegui escapar da torre do orco, das garras do anjo tentador e de
seus diabos, fugi do monstro andrógino. E acabei no castelo do príncipe árabe,
que esperou por mim sentado em almofadas macias e aveludadas. Me fez despir as
minhas vestes gastas e me deu roupas de princesa. Chamou as criadas e mandou
que me penteassem, depois beijou-me na testa e disse que ia me olhar enquanto eu
dormia. Depois, uma noite, fizemos amor, e quando voltei para casa vi meus
cabelos ainda brilhantes e a maquiagem intacta. Uma princesa, como minha mãe
sempre disse, tão linda que até os sonhos querem roubá-la.
Fim”
beijinhus amores
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